
É público e está plasmado em notícia, de hoje no Jornal Rostos, o PS Barreiro retirou a confiança política ao Coronel Nuno Santa Clara Gomes.
Discute-se neste artigo, cuja fonte deveria ter vergonha na cara em reportar o que se passou num órgão do partido, uma a tomada de posição praticamente unânime que os Comissários Políticos do PS-B, tomaram em relação a facto do Coronel Santa Clara Gomes ter aceitado pelouros, unilateralmente e não debatendo esta posição com o Partido pelo qual foi eleito.
A explicação para este acontecimento não me cabe a mim, nem eu gostaria de expor a vida pública do meu partido neste meio. Mas impõem-me os meus princípios e objectividade que assuma que, naturalmente, que a imagem pública do PS sai fragilizada deste processo.
As reacções não se fizeram esperar e compreendo como naturais as múltiplas reacções “abustrescas” com que alguns se apressam a comentar as turbulências socialistas no Barreiro. Em verdade vos digo, sem qualquer tipo de hipocrisia, que provavelmente o PS faria o mesmo em situação inversa – é o sal da política actual discutir pessoas e eventos negligenciando as ideias.
Quanto a mim, na vida como na política a hipocrisia e a mediocridade incomodam-me de sobremaneira.
Proliferam iluminados fazedores de opinião, mais vezes movidos pelo interesse do partido ou grupo de pressão - como se de um clube de futebol se tratasse - do que com o bem-estar da comunidade.
Assim, e não querendo correr o risco de ser mal entendido, deixo-vos um exemplo que considero sintomático: O silêncio ensurdecedor mantido, pela mais fina flor do entulho intelectual camarro, em relação à anacrónica e disruptiva Lei das Autárquicas que actualmente vigora.
E aproveito para deixar algumas questões e tentar recentrar o debate num ponto que é pertinente no Barreiro como no resto do País:
Ninguém se choca com uma lei que estipula a composição de executivos por método de Hondt e com o consequente quadro de compra e venda de almas que mina os princípios basilares de uma saudável democracia?
Porque não se dá atenção aqueles que incessantemente apelam ao reforço dos poderes da Assembleia Municipal?
Porque é que se considera normal que um partido possa estar, em simultâneo, no executivo camarário e adoptar uma postura de “oposição” – mesmo sem o estatuto legal – na Assembleia Municipal?
Porque é que nenhuns dos opinion makers da nossa terra têm a honestidade intelectual de reconhecer que este sistema é a raiz de muitos dos males que atormentam a instituição Câmara Municipal?
Como é que se acha normal que os presidentes de Junta tenham direito a voto na A.M. deturpando a vontade popular expressa em votos? (Ver composição da A.M. de Barcelos)
Porque ninguém acha importante relançar o processo da regionalização e da consequente modernização das divisões administrativas do país?
E por fim o mais chocante. Com que desfaçatez se divide os autarcas entre quem quer trabalhar pela cidade e quem não quer, mediante a aceitação de pelouros?
É simplesmente tão estúpido quando considerar que o Cabós não é democrata porque não vota para os órgãos CMB e AMB. (Este sim um exemplo, tantas vezes distorcido, mas de grande honestidade intelectual)
Enfim, penso que o PS resolveu desde já um assunto que ele próprio criou. De positivo apenas retiro o facto de não se perpetuar uma situação deveras incómoda.
Em relação ao Coronel nada de pessoal me move. Apenas apelo que tire as devidas ilações do que uma esmagadora maioria lhe expressou.
André Pinotes Batista