O Mercado e a Cidadania
De uma coisa já não restam dúvidas, a iniciativa individual de cidadania do
Mais, este projecto
Pessoalmente, acresce-se ainda ao facto desta iniciativa cívica do Cabós ter tido o condão de reacender em mim o prazer da cidadania no seu estado mais puro e livre.
A este propósito permitam-me uma pequena dissertação. Desde as eleições intercalares da CML tenho vindo a reflectir bastante sobre o fenómeno dos independentes que fundamentam a sua existência sobe a égide da cidadania.
É incontestável que os movimentos protagonizados por Helena Roseta e Carmona Rodrigues – nas eleições de Julho último – e até o, não muito longínquo, movimento cívico que serviu de base à candidatura Presidencial de Manuel Alegre fizeram correr inúmeros litros de tinta na imprensa nacional, amplas reportagens e análises nas televisões e rádios por este pais fora.
No entanto, estes não eram verdadeiros movimentos de cidadania mas antes movimentos de dissidentes políticos pseudo-independentes. Salvaguardando todo o respeito que me merece a Helena Roseta e o Manuel Alegre, felizmente, a isso não se chama cidadania. É que, da dissidência política à independência vai uma colossal distância.
Ainda mais nefasta é a tentativa dos movimentos ditos independentes em monopolizarem as causas da cidadania e, ainda pior, a tentativa de instituir a ideia de que a cidadania é antagónica e adversária dos partidos políticos.
Já agora, ao analisar o fenómeno dos independentes, porque não relembrar a candidatura independente protagonizada por Avelino Ferreira Torres? Desculpem-me a citação a tão lúgubre figura, mas tenho a forte convicção de que a maioria de vós anda convencido que esta história dos independentes é um fenómeno recente. Com efeito, convém relembrar que, por exemplo, em 2005 tão ilustre cidadão protagonizou uma candidatura independente à Câmara Municipal de Amarante suportada num Movimento de Cidadania apelidado “Amar Amarante”, que para felicidade de Amarante saiu derrotado.
Voltemos então ao Mercado este sim é um verdadeiro acto de cidadania. Para sustentar a minha posição deixo-vos algumas questões:
Necessitou o Cabós de se desfiliar ou demarcar do “seu” PS para levar à pratica o seu projecto?
Necessitou o Cabós da autorização de alguém para o levar avante?
Necessita este projecto do rótulo de algum partido ou instituição para ser mais credível ou exequível?
O mercado foi ou não per si capaz de colocar milhares de pessoas a discutirem a sua cidade, nos cafés, nas esquinas, nas sedes partidárias, nos lares, nos blogues?
Nunca é demais relembrar que a cidadania não deve ser utilizada na véspera de uma qualquer eleição, com propósito da conquista do poder. A cidadania, tal como a famosa cantiga da rua, já mais se habitua à lapela de alguém. É potencialmente de toda a gente mas não é usurpável por ninguém.
Agora, resta-nos esperar que pelo menos uma vez uma boa ideia não vá parar à gaveta por partidarite aguda, inércia, egoísmo ou preconceito.
André





7 comments:
Gostei do post. Espero sinceramente que a questão do mercado sirva de exemplo e que apareçam mais exemplos de cidadania. Acho que a cidade está a precisar disso, pois ouvimos as pessoas constantemente a queixarem-se, mas depois nos locais certos são poucos ou nenhuns os que se manifestam. Espero que esta situação se reverta e que cada vez exista mais participações como a do Cabós Gonçalves.
É, cada vez mais, necessário que as pessoas entendam que podem ter influência e marcar a diferença. Quer as comunidades locais quer a democracia actual precisam de cidadãos activos, informados e responsáveis, que possam assim contribuir para a vida activa da cidade.
Agora acho que é importante haver, cada vez mais, uma Educação para a Cidadania, para desenvolver e aprofundar os conhecimentos, as capacidades, a compreensão e os valores que ajudem os jovens a desempenhar um papel activo na comunidade, assim como a estarem informados e conscientes dos seus direitos, responsabilidades e deveres.
Eu não ponho lá os pés, um gajo habilita-se a levar uma facada.
Em resposta ao anónimo das 2:38 apenas um excerto,
"Agora, resta-nos esperar que pelo menos uma vez uma boa ideia não vá parar à gaveta por partidarite aguda, inércia, egoísmo ou preconceito.
É que, eu ja tive duas más experiências com facas apontadas ao pescoço e a cortesia foi obséquio de um preto e um branco.
Por sua vez, quando me apontaram um pistola à cabeça eram dois brancos e um mulato.
Portanto, isso é perconceito.
Integrar as minorias reduz a criminalidade. Está provado.
E escusam de me vir com a argumentação de que a etnia cigana não quer ser integrada. A verdade é que raros são os exemplos de projectos de integração que tiveram em conta a cultura os diversos aspectos da cultura cigana.
A Quinta da Mina, por exemplo, faz me lembrar um documentário a que assisti recentemente, no Panorama BBC, onde realojaram uma família directamente da Somália em Brooklyn.
Logicamente o resultado foi...desastroso.
Nunca disse que não, nem falei de pretos, brancos ou ciganos. Mas que um gajo por aqueles lados se habilita a levar uma facada, habilita.
Tu meu anónimo de meia tijela, sabes bem que até uma machadada podes levar. E o que dizer de uma moca com cavilhas?
Não seria bom dar uma volta ao Barreiro velho?
E já agora. Sabias que a casa onde passamos a noite de Carnaval a cantarolar se chama Casa da Cerca?
Tu gostas do Barreiro velho tão ou mais que eu. Lê mas é a ideia e ve lá se não te agrada?
Nem é tanto no mercado que quero que atentes, mas sim no potencial de reconversão da zona que este projecto acarreta...
Boa noite, sempre podes ir ao barreiro velho, mais concretamente ao local em questão e subscreveres o abaixo assinado elaborado pelos moradores contra essa ideia descabida aventada por esse tal individuo militante do PS.
abraço
antónio
Divulguem sff:
www.eusoucontraomercado.blogspot.com
Abraço
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